A última do ano

Postar algo aqui hoje no que é, essencialmente, o último dia do ano é muito parecido com abrir um caderno que comecei a escrever e acabei deixando de lado em algum momento. E fazer isso na época em que costumo estar na minha versão mais melancólica parece fazer sentido.
Nos finais de ano eu sempre faço minha retrospectiva mental do que o ano significou para mim, o que aconteceu de bom e de ruim e o que pretendo fazer no ano seguinte, de forma bem generalizada. Não que no dia 01/01/2026 tudo mude magicamente, é só uma quarta-feira virando uma quinta-feir (pensando da forma mais sem graça possível) mas acho que é importante termos pontos de referência para definirmos onde algo acaba. Eu esperei muito para esse ano acabar, porque talvez ele tenha sido um dos mais desafiadores que já passei, empatando com 2020. Se não tivesse como por um fim nele eu nem sei o que seria de mim.
E o saldo desse ano, no meu ver, foi até que bom, mesmo com as dificuldades. Tive que começar a trabalhar em coisas que eu já sabia sobre mim, mas nunca cheguei a de fato encarar de frente. A falta de amor-próprio, o desejo de descobrir e expressar minha identidade, minha forma de amar não-monogâmica e algumas outras coisas.
E eu cheguei em alguma conclusão sobre esses problemas? Óbvio que não! Mas levei muitos tapas na cara para colocar na cabeça de vez que eu não posso deixar eles de lado e esperar que minha vida magicamente melhore. Minha felicidade depende de eu encarar isso tudo e melhorar como pessoa, para eu deixar finalmente de desgostar de mim mesma.

Mas 2025 também não foi tudo de ruim. Finalmente me assumi trans para os meus amigos próximos, mesmo eles já sabendo (é complicado (eu sei, não faz sentido)), defini a não-monogamia como uma parte não negociável nas minhas relações e procurei novos hábitos saudáveis. Saí de redes sociais que me faziam MUITO mal e pretendo me afastar ainda mais no longo prazo, mas o Xitter e Tiktok deixaram minha rotina e estou, aos poucos, construindo um hábito de leitura (algo que eu queria fazer já tem um bom tempo). As únicas coisas que eu sei que preciso melhorar é meu diário, que tá mais para quandodánatelha-ário, e ter um hobby criativo em que eu não sinto pressão de ser bom (como esse blog, uau!).
Para 2026, eu não tenho resoluções, porque acho elas ruins e feitas para a gente se sentir mal. Eu uso o método do CGP Grey de temas para o ano desde que o conheci em, sei lá, 2019. Porque colocar metas mensuráveis para mudar nossas vidas e hábitos é um sistema merda. Melhorar demora tempo, às vezes muito tempo, e falhar pode fazer a gente se sentir péssimo ao ponto de desistir. Então eu faço algo muito mais geral como “o ano da saúde”, porque eu posso até não continuar na academia, mas eu evoluí na terapia e isso melhorou minha saúde mental. Pronto, eu ainda não falhei e me sinto bem no fim de tudo.
Também acontece que eu esqueço meu tema quando chega no meio do ano, mas isso é detalhe…
Esse ano, eu pretendo continuar hábitos saudáveis e quero finalmente dar o pontapé para minha independência total e saúde. Então meu tema será “O ano de fundações”, onde eu quero sair com uma ou mais bases prontas para construir minha vida de verdade. Seja juntar dinheiro para a entrada de um apartamento, solidificar um hábito positivo, quero sair de 2026 com a sensação de que fiz progresso na base do que vai ser o futuro que eu quero construir, seja lá como isso for se manifestar.
Recomendo muito que você faça algo parecido. E não precisa ser feito agora. Pensa com carinho e não se cobre tanto!
Para fechar esse paredão de texto, queria compartilhar que estou lendo Descolonizando Afetos (Geni Núñez) e estou amando demais!! Acho que de tudo que fiz esse ano, essa está sendo a experiência mais esclarecedora sobre como eu me entendo como pessoa não-monogâmica. E que quero repensar um pouco o meu blog para voltar a ter tesão nele.
Eu amo a proposta do Neocities, mas já considerei tentar outras abordagens de site estático. Não sou programadora e queria explorar formas mais intuitivas de publicar meus pensamentos, com o mínimo de manutenção necessária pro site. Ou, quem sabe, só preciso repaginar o visual dele :P
Dei uma olhada no bearblog.dev e parecia ser perfeito, até descobrir que preciso pagar para colocar qualquer coisa além de só texto. Não me leve a mal, eu pagaria se pudesse, mas não tenho como me dar esse luxo agora. Vou pesquisar mais e talvez eu até perceba que Neocities é o que mais me agrada, mesmo não sendo tão simples quanto eu queria. Porque ainda quero que me blog seja meu cantinho na internet e esse sentimento precisa estar presente. Usar o Github Pages, por exemplo, não me deixa tão confortável, sabendo as merdas que Microsoft tem se metido com IA, financiamento de tecnologia de guerra e outras coisas ruins. Se eu migrar de vez, vou avisar aqui e no meu perfil da organica.social.
Sinta-se livre para dar um oi lá, inclusive!
E, finalmente, desejo um Feliz Ano Novo para VOCÊ (SIM, VOCÊ), com muito amor, abraços, dinheiro e momentos felizes. Agradeço de coração você ter tirado seu tempo para ler o que tenho a dizer. Mesmo que duas telas nos separem, saiba que a humana desse lado aqui está com o coração quentinho de poder compartilhar meus momentos aqui <3